Foto: CBMAlves

Duas novas espécies de peixe do gênero Bunocephalus foram descobertas na bacia do Rio São Francisco, na região norte de Minas Gerais. O B. hartii foi encontrado no Rio Cipó e o B. minerim no córrego Guarda-Mor. A publicação das novas descrições foi realizada pelo jornal Neotropical Ichthyology. Os peixes descobertos são bagres, que são importantes indicadores de conservação do ambiente em que se encontram.

​​Encontrar novas espécies de bagre nessas águas é um bom sinal, pois indica que essa regiões ainda estão equilibradas. Manter essas áreas que estão mais conservadas é essencial para garantir o bem estar da grande comunidade que habita no entorno de toda a bacia hidrográfica do Rio São Francisco e é abastecida por ele. No total, são mais de 14,2 milhões de pessoas em 521 municípios que precisam da água dessa bacia.

A pesquisa foi apoiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que selecionou o projeto por conta da importância de se conhecer a diversidade de espécies da bacia do São Francisco. De acordo com a diretora executiva da instituição, Malu Nunes, a descrição de novas espécies “gera conhecimento e informações estratégicas sobre os ecossistemas brasileiros e que futuramente irão auxiliar na tomada de decisões de políticas públicas e apoio a pesquisas para manter o equilíbrio desses ambientes”.

Segundo um dos integrantes da pesquisa e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Mascarenhas Alves, verificou-se que essas novas espécies de peixe só existem na bacia do São Francisco, habitando o fundo dos rios. Elas se protegem nas folhas que se acumulam e exploram os desníveis. “Percebemos também que suas presenças indicam que esse micro habitat [os fundos dos rios] estão equilibrados. Portanto, elas só são encontradas em regiões conservadas, o que indica a importância de manter a proteção desses locais”, destaca o pesquisador. Carlos Alves afirma ainda que é importante acompanhar a presença dos novos peixes descritos para monitorar  ​o estado de ​conservação da região.

As principais ameaças ao trecho mineiro da bacia do São Francisco são desmatamento, agropecuária, esgoto não tratado que é despejado em suas águas e​ atividades de​ mineração. Todas essas ações podem impactar nas matas ciliares, que têm por objetivo proteger as margens dos rios. “Se elas são degradadas, o solo da margem se enfraquece, caindo e se acumulando no fundo – o chamado assoreamento – o que impactará diretamente nas espécies que habitam o rio”, ressalta o pesquisador da UFMG.

Características das espécies

Os dois peixes são de pequeno porte, cabeça grande e corpo fino, sendo que o B. hartii possui coloração bege clara, e seu dorso possui pontos marrom-claro e manchas marrom-escuro. Seu tamanho varia entre 5 e 6 cm de comprimento. Já o B. minerim é ainda menor, com cerca de 4 cm e coloração bege, com manchas marrons.

 


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