Durante pouco mais de um mês, jovens entre 14 e 21 anos de Antonina, no litoral do Paraná, se reuniram aos sábados para descobrir formas de preservar a biodiversidade da qual são vizinhos. As aulas gratuitas serviram como capacitação para os 46 alunos formados na primeira turma da Escola de Conservação da Natureza, projeto desenvolvido pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Os alunos são moradores das comunidades próximas às reservas naturais mantidas pela SPVS no litoral paranaense, região que mantém o maior trecho contínuo do bioma Mata Atlântica. Profissionais de diversas áreas participaram do projeto, ensinando sobre temas como manejo de áreas protegidas, empreendedorismo regional, biodiversidade nativa e restauração ecológica. “Nossa proposta é que os jovens das comunidades locais enxerguem oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional com a conservação da natureza”, diz Solange Latenek, coordenadora técnica do projeto. “Também procuramos incentivá-los a compreender melhor a natureza e seus fenômenos, para que se tornem multiplicadores de atitudes mais conscientes”, completa. Além dos temas já abordados, oficinas voltadas para produção de mel de abelhas nativas, utilização do Sistema de Informação Geográfica e as aplicações da tecnologia na conservação da natureza são realizadas no contraturno escolar.

Para Lucas Franco, 20 anos, as aulas foram uma oportunidade de capacitação profissional e também de se aproximar da natureza. “Antes da Escola eu não tinha muita ideia do que era conservação da natureza. Para mim, era só cercar uma área e deixar crescer o mato”, conta o estudante. “Alguém explicar com palavras simples algo que parecia tão complexo faz a gente começar a observar e perceber que conservação é um cuidado hoje para o amanhã”.

Formação de profissionais da conservação

A formação profissional foi um foco importante da Escola de Conservação da Natureza, segundo a coordenadora de projetos da SPVS, Liz Buck, devido à escassez de oportunidades de emprego nessas comunidades. “Nos esforçamos para que esses alunos possam ser integrados em funções e cargos que atuem pela conservação da natureza na região”, destaca. Antonina tem cerca de 19 mil habitantes e 15% da população da cidade vive distante  das áreas urbanas, segundo o IBGE. “Muitos acabam se mudando dessas comunidades mais afastadas por não conseguirem emprego. Mas a manutenção de áreas naturais bem conservadas pode ser uma fonte de oportunidades e de riqueza para os moradores”, lembra Buck. O último censo do IBGE, realizado em 2010, registrou que 34,5% dos moradores entre 20 e 29 anos não estão empregados na cidade.

O projeto é apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e deve abrir novas turmas para 2018, também atendendo outros municípios da região que mantenham remanescentes de Mata Atlântica. Desde 2000, a SPVS administra três reservas no litoral do Paraná. As Reservas Naturais das  Águas, Papagaio-de-cara-roxa e Guaricica protegem 18,7 mil hectares de áreas conservadas nas cidades de Antonina e Guaraqueçaba.


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