Tornar o último grande remanescente contínuo de Mata Atlântica um polo de ecoturismo, aliando desenvolvimento econômico e conservação da natureza. Esse foi o foco do evento promovido pela Prefeitura de Antonina, no litoral do Paraná, na última sexta-feira (14), que reuniu prefeituras e representantes de instituições privadas e do terceiro setor do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

O pesquisador Ignácio Jimenez apresenta o conceito de Produção de Natureza. Créditos: Divulgação/Prefeitura de Antonina. 

Esse modelo de desenvolvimento econômico baseado no turismo de natureza é conhecido como Produção de Natureza, no qual áreas naturais bem conservadas, com vida selvagem abundante e de fácil observação atraem visitantes nacionais e internacionais. O patrimônio natural e cultural da Grande Reserva Mata Atlântica, área que abrange 2 milhões de hectares dos últimos remanescentes contínuos do bioma e o equivalente a 2 milhões de hectares de ecossistemas marinhos, passando por 46 municípios, pode proporcionar a criação de um grande destino turístico internacional. Uma opção para gerar uma economia com base em serviços onde antes havia apenas setor primário. Um exemplo disso são os parques estaduais de São Paulo. O gestor de Unidades de Conservação da Fundação Florestal de São Paulo, Edson Montilha, apresentou a agenda de uso público dos parques do Estado, que contam com projetos de infraestrutura adequada para garantir segurança e conforto para os visitantes, além da boa gestão de Unidades de Conservação da região.

Para as comunidades locais, o turismo representa a possibilidade de geração de empregos, evitando o êxodo da população jovem devido à falta de alternativas de oportunidades de trabalho. “Vamos unir as singularidades dos nossos municípios para conversarmos com a sociedade e com o poder público para passaressa mensagem. Tenho confiança de que esse trecho, que é o último remanescente de Mata Atlântica do mundo, pode trazer desenvolvimento e qualidade de vida para a nossa população”, ressaltou o prefeito de Antonina, José Paulo Vieira Azim (Zé Paulo-PSB).

Para o pesquisador Ignácio Jimenez, um dos responsáveis pela implementação de um projeto similar na região de Esteros del Iberá, na Argentina, a rica biodiversidade do bioma, com espécies como a onça-pintada e o mico-leão-de-cara-preta e o grau de conservação tornam a Grande Reserva Mata Atlântica uma área única. “Essas características aliadas aos aspectos histórico-culturais da região trazem a essa região uma ótima oportunidade de torná-la o primeiro grande destino turístico internacional no Brasil”, afirmou.

“Nós precisamos de equilíbrio. Precisamos nos unir para trazer desenvolvimento para essa região sem prejudicar o meio ambiente. O turismo de natureza é uma alternativa, já que é um turismo responsável que, ao mesmo tempo, fomenta a economia local”, destacou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável e Turismo do Paraná, Márcio Nunes.

O encontro contou com a participação do prefeito de Paranaguá, Marcelo Elias Roque (PV), do vice-prefeito de Guaraqueçaba, Jose Teofilo Vidal Lopes (Zito-PSD), do prefeito de Morretes, Osmair Costa Coelho (Marajá-PMDB). As ações promovidas pela iniciativa podem ser acompanhadas pelas redes sociais da Grande Reserva Mata Atlântica.


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