Entidades do mundo todo participam de evento no Havaí para propor soluções de proteção ao meio ambiente

Um painel promovido pelo Secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), intitulado “Integrando Biodiversidade aos Negócios: Resultados esperados e oportunidades da COP 13”, trouxe luz ao tema de grande reflexão para muitas organizações e empresas atualmente, e foi amplamente debatido por grandes entidades de proteção ao meio ambiente, incluindo a brasileira Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, no último 3 de setembro. O evento é parte do Congresso Mundial de Conservação, o maior e mais inclusivo fórum de tomada de decisão ambiental do mundo, que se propõe a definir os próximos passos para a conservação da natureza. Nesta edição, a cidade-sede é Honolulu, no Havaí (EUA).

Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, participou do painel como representante do setor de negócios, indicando pontos importantes para as decisões da 13ª Conferência das Partes (COP 13) da CDB, que acontece em dezembro próximo, e que impactam positivamente o engajamento dos negócios com a biodiversidade: “Precisamos incutir nas empresas e nos empresários uma cultura baseada em processos internos que assegurem a biodiversidade em toda a sua cadeia de valor, como políticas de ecoeficiência, medidas de redução de gases de efeito estufa, certificação ambiental, avaliação de fornecedores, entre outras”.

Como forma de implementar essa cultura, a Fundação Grupo Boticário propõe algumas soluções, tais como a Certificação LIFE, sistema que incentiva empresas a promoverem ações concretas e eficazes de conservação da biodiversidade que vão além da legislação, ou o Araucária+, pelo qual proprietários de terras localizadas em ecossistemas ameaçados adotam padrões sustentáveis e mantêm a floresta de forma a aumentar sua renda, vendendo seus subprodutos para um mercado mais sofisticado. Há, ainda, o Pagamento por Serviços Ambientais, em que proprietários particulares são recompensados financeiramente para manter ou até mesmo restaurar áreas com vegetação nativa em suas propriedades, beneficiando bacias hidrográficas e garantindo a conservação a longo prazo dessas áreas.

WWF International, Repo Consultancy Ltd, Hawaii Green Growth, CONABIO-Mexico e Secretaria Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB) foram as outras organizações que participaram do painel.

De acordo com Bráulio Dias, secretário executivo da CDB, no que tange ao Brasil, a sociedade precisa demandar do governo as soluções para enfrentar questões de preservação da biodiversidade e outras ligadas ao meio ambiente. “Trabalhei por 20 anos no Governo e entendi que, como há tantas questões para se resolver no país, aquelas que tiverem apoio da sociedade e demais stakeholders, e que tiverem bons estudos científicos, serão tomadas como prioritárias. Foi assim com o desmatamento da Amazônia, que diminuiu significativamente após essa pressão da sociedade”, concluiu Dias.

painel-negocios

Participantes do painel “Integrando Biodiversidade aos Negócios”: da esquerda para direita, os representantes da Repo Consultancy Ltd, Fundação Grupo Boticário, CONABIO-Mexico, WWF International, Secretaria Executiva da CDB e Hawaii Green Growth

Responsabilidade compartilhada

Durante o painel, a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário ainda abordou outros pontos cruciais para a integração da biodiversidade no ambiente de negócios. Para ela, a proteção à natureza parece algo distante de quem mora nas grandes cidades. “Há uma desconexão entre o dia a dia das populações urbanas e as ações de conservação e restauração do meio ambiente. Quem mora e trabalha nos grandes centros urbanos precisa entender que a responsabilidade é de todos: do governo, do empresário, do trabalhador”, exalta Malu Nunes.

De acordo com a executiva, algumas medidas, se colocadas em prática, são fundamentais para que todos esses agentes desempenhem seu papel de proteção da natureza: “No que tange às empresas e indústrias, a conservação ainda é considerada um obstáculo ao seu desenvolvimento e crescimento. É essencial, para mudar esta mentalidade, que o setor privado apresente casos reais que demonstrem que a conservação, a ecoeficiência e as melhores práticas realmente melhoram os resultados dos negócios, mudando seus parâmetros de decisão”, explica Nunes. “No caso do governo, precisamos de políticas públicas adequadas, de incentivos para melhorar o modelo produtivo, de mecanismos financeiros que estimulem o setor privado a investir na conservação da biodiversidade, tais como contratos públicos ecológicos, materiais reciclados pós-consumo e uso de energia renovável”, acrescenta.

Malu Nunes diz ainda que a sociedade é responsável por padrões de consumo. “Uma sociedade mais informada pode ajudar a mudar os padrões de produção de forma significativa para um modelo mais ecológico. Ao mesmo tempo, influenciar os políticos e as políticas públicas para proteger os recursos naturais e, assim, estabelecer uma produção mais sustentável”, conclui.

Um evento de peso

O Congresso Mundial de Conservação, promovido pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) é realizado desde 1948, a cada quatro anos, e pela primeira vez é organizado pelos Estados Unidos, onde se encontram mais de 100 das 1.300 organizações-membros da IUCN. Dias antes do início do encontro global, o presidente norte-americano Barack Obama anunciou a maior reserva marinha do mundo, habitat de milhares de criaturas raras, nas ilhas do noroeste do Havaí.

No Brasil, existem cerca de 20 instituições públicas e privadas que são membro da IUCN, entre elas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Sobre a Fundação Grupo Boticário: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.486 projetos de 492 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.brwww.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/fundacaogrupoboticario.


Share this article